Dúvidas


O que é obesidade e obesidade mórbida?
Obesidade é uma DOENÇA metabólica crônica, incurável, de origem genética e desencadeada por múltiplos fatores, mas que tem controle. Provavelmente a exposição dos indivíduos com uma genética favorável a um consumo de calorias excessivo e ao sedentarismo seja o principal fator desencadeante. É uma doença mundial de prevalência crescente e que adquiriu proporções epidêmicas, sendo atualmente um problema de saúde pública. A obesidade mórbida é definida quando o paciente atinge um nível mais grave de obesidade em que aumenta muito a incidência de doenças associadas à obesidade. Os pacientes obesos e com obesidade grave têm um risco aumentado em 50 a 100% de inúmeras doenças crônicas e um aumento expressivo da mortalidade (2,5 vezes em relação a pacientes não obesos e 4,5% anuais nos diabéticos tipo 2), além de uma pior qualidade de vida.
Como saber se sou obeso?
Há várias maneiras de se diagnosticar a obesidade. Existem basicamente dois tipos de diagnósticos: um quantitativo, que é referente à massa de tecido adiposo (gordura), e um qualitativo, referente à distribuição desta gordura corporal (presença de adiposidade visceral/abdominal). Na prática, o cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC) é ainda o método quantitativo utilizado como padrão de medida internacional, por ser simples e rápido, porém não difere massa gorda de magra, nem a gordura central da periférica. Em crianças, o IMC deve ser ajustado para a idade e altura, em tabelas especiais. A medida da cintura é um método simples e prático de diagnosticar a obesidade central (andróide), que acarreta maior risco cardiovascular. Para homens a cintura deve ser menor do que 95 cm e para mulheres menor do que 80 cm. Outros métodos como a bioimpedância, a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética abdominal também podem ser utilizados para diagnóstico da obesidade. Obeso mórbido é o indivíduo que tem IMC maior do que 35 kg/m2 com co-morbidades (doenças associadas) ou maior do que 40 kg/m2 . Também é obeso mórbido aquele indivíduo que apresenta mais do que 45 kg acima do peso ideal ou normal. IMC kg/m² Classificação da Obesidade = 40 Obesidade Mórbida Para saber seu IMC divida seu peso pelo quadrado de sua altura.
Quais os riscos desta doença?
A obesidade acarreta um risco aumentado de inúmeras doenças crônicas como diabetes tipo 2, dislipidemia (colesterol total, LDL e triglicerídeos aumentados), doenças cardiovasculares como hipertensão arterial, acidente vascular cerebral (derrame/isquemia), morte súbita, arritmias cardíacas, infarto agudo do miocárdio (IAM) precoce, insuficiência cardíaca. Também está associada a alterações da coagulação do sangue, doenças articulares degenerativas (artropatias), ácido úrico aumentado, vários tipos de câncer, cálculo de vesícula biliar e esteatose (gordura) no fígado com ou sem cirrose hepática. Também ocorre prejuízo na função pulmonar, restrição dos volumes dos pulmões, síndrome da apnéia obstrutiva do sono (SAOS), que por sua vez aumenta muito o risco de doença cardiovascular e de morte prematura. Infertilidade, varizes de membros inferiores e distúrbios psicossociais também estão associados com a obesidade. Em um estudo realizado em obesos entre 25 e 34 anos, o risco de morte é até 12 vezes maior se comparado a uma pessoa de peso normal.
A obesidade é psicológica?
A obesidade não é uma doença de causa psicológica, mas muitas vezes os problemas psicológicos estão presentes. A obesidade, longe de ser uma fraqueza de caráter, é uma doença que afeta o homem nos seus aspectos físico, psíquico e social. Faz-se necessária, portanto uma intervenção médica e multidisciplinar no tratamento da obesidade. As doenças psiquiátricas são geralmente em média de duas a três vezes mais freqüentes nas pessoas com obesidade mórbida.
Quantos obesos mórbidos existem no Brasil?
Baseado em estudos que mostram 0,3% da população mundial sendo obesos mórbidos, estimamos para o Brasil e RS aproximadamente 500.000 e 30.000, respectivamente, de obesos mórbidos necessitando tratamento.

Como posso tratar a obesidade?
O tratamento da obesidade consiste em uma associação de medidas que geram uma modificação permanente do estilo de vida do paciente, e dependendo do grau de obesidade vamos aplicando estratégias de tratamento mais avançadas sem excluir as etapas iniciais de DIETA e ATIVIDADE FÍSICA regulares.

Qual é o melhor tratamento?
Na obesidade mórbida as pessoas até conseguem emagrecer dezenas de quilos com o tratamento clínico, mas o peso perdido é recuperado em 95% dos casos, pois dificilmente os pacientes mantêm o tratamento como deveriam. Por isso a cirurgia de redução do estômago é considerada a forma mais eficaz de perda e manutenção da perda de peso. Mesmo assim, tem sua indicação para casos de IMC maior do que 35 e associados a doenças sérias como diabetes de difícil controle, dislipidemia, HAS. Além disso, o paciente já deve ter passado por várias tentativas de emagrecimento sem sucesso anteriormente. A cirurgia bariátrica não é um procedimento estético. Os resultados da cirurgia dependem TOTALMENTE da aderência do paciente ao programa proposto pela equipe e do seguimento das orientações em longo prazo, pois a cirurgia é apenas uma ferramenta e não garante um emagrecimento sem um tratamento dietético, psicológico e a prática de atividade física regulares.

Existe cura?
Não, obesidade é uma doença crônica incurável, existe apenas controle da doença. Como toda doença crônica, se o tratamento for interrompido, e o acompanhamento deixar de ser realizado, os sinais e sintomas vão voltar. No caso da obesidade, o peso volta a aumentar.
A cirurgia como uma ferramenta no tratamento da obesidade. Hoje a cirurgia constitui o único procedimento comprovadamente efetivo no tratamento da obesidade mórbida ou extrema com co-morbidades. Os pacientes obesos geralmente já tentaram inúmeros tratamentos para a sua doença e até já conseguiram emagrecer e atingir seu peso-saúde, porém acabam recuperando todo o peso emagrecido, chegando a patamares de peso ainda mais altos do que os anteriores. Todos os obesos compartilham o fracasso terapêutico e a frustração quanto aos diversos tipos de tratamento especialmente no que se refere à manutenção do peso perdido em longo prazo. Ainda em busca da solução mágica, acreditam que a cirurgia será a salvação de todos seus problemas e o cirurgião é visto como um deus. O paciente precisa se conscientizar que a cirurgia é, sem dúvida, o melhor instrumento para o tratamento da obesidade mórbida. O resultado, contudo, dependerá de como cada paciente operado utilizará esta ferramenta, este instrumento. O emagrecer saudável depende da adesão à dieta, do uso regular de vitaminas quando indicado, de um programa de atividade física continuada. A equipe orienta, mas que faz ou não é o paciente. OS RESULTADOS DEPENDEM DO COMPORTAMENTO DO PACIENTE NO PÓS-OPERATÓRIO. Nossa equipe está preparada para auxiliar sempre que houver necessidade, basta que haja interesse e procura do paciente

Tenho indicação de fazer cirurgia para perder peso?
A cirurgia da obesidade é um procedimento grande e como todo ato cirúrgico tem seu risco e fica reservada para os obesos mórbidos que tiveram insucesso ou refratariedade nos tratamentos anteriores. Os critérios de inclusão são um IMC acima de 40 ou IMC entre 35 e 40 com co-morbidades (doenças) associadas e refratárias ao tratamento clínico, principalmente diabetes tipo 2. Além disto, é necessário que o paciente não tenha tido sucesso no tratamento clínico por pelo menos cinco anos, ou seja, que esteja caracterizada uma doença de evolução crônica. É preciso autorização consciente por parte do paciente e dos familiares, bem como o apoio familiar em todas as etapas do tratamento. Deve ser feita avaliação pré-operatória rigorosa em estrutura hospitalar adaptada à complexidade do procedimento cirúrgico. O paciente tem indicação cirúrgica quando o risco de permanecer obeso é maior do que o risco do procedimento cirúrgico.

Como as cirurgias funcionam?
Algumas restringem a entrada dos alimentos, outras impedem grande parte da absorção dos alimentos, outras são mistas e fazem os dois efeitos. Elas também têm o efeito hormonal que atualmente é mais bem conhecido, e que causa, na maioria dos pacientes, diminuição da fome e 90% de cura ou melhora do diabete tipo 2.

A cirurgia sempre resolve as doenças relacionadas à obesidade?
Nem sempre resolve em todos os pacientes, mas na maioria. E quando não resolve geralmente melhora muito. No caso das dislipidemias, e principalmente do diabetes há uma melhora metabólica importante com a perda de peso e com as alterações hormonais que a cirurgia promove. O indivíduo volta a ter o mesmo risco que pessoas de peso normal têm, ou seja, ele terá hipertensão e dislipidemia se tiver predisposição familiar para isto e não mais por ser um obeso. Sem contar a redução na quantidade dos medicamentos necessários após a cirurgia e o fator econômico disto.

A cirurgia de obesidade resolve o diabetes tipo 2?
Dependendo do tipo de cirurgia pode resolver em até 90% dos casos.

Quais os tipos de procedimentos?
Existem disponíveis no Brasil os procedimentos que não modificam o corpo como o balão intragástrico e os que modificam o corpo, como a banda gástrica e as cirurgias gástricas, que se dividem em restritivas, disabsortivas e mistas. As técnicas têm por objetivo restringir a capacidade do estômago de receber o alimento, diminuir a absorção dos mesmos ou as duas situações em conjunto. Ingerindo menos calorias do que a necessidade diária o metabolismo do obeso tem como conseqüência a queima do tecido adiposo acumulado e emagrecimento. A perda de peso vai depender da técnica utilizada e da participação do paciente na mudança de estilo de vida e pode variar de 40 a 80% do excesso de peso em 18 meses.

Como é a cirurgia de Fobi-Capella?
Esta é uma técnica mista, ou seja, restringe a ingesta e causa leve disabsorção alimentar. É feito um desvio intestinal que é responsável pelas alterações hormonais que diminuem a fome e promovem a cura ou melhora do diabete 2, em cerca de 90% dos pacientes. Ela é uma das cirurgias mais feitas no nosso Serviço, no Brasil e no mundo, principalmente nos EUA. A maior parte do estômago ao ser separada e suturada mecanicamente (grampeada) fica só com a função de produzir suco digestivo e não digere mais alimentos. A parte pequena do estômago é ligada a uma porção mais abaixo do intestino delgado (derivação gastrintestinal), desviando o alimento do seu trânsito habitual e diminuindo a absorção de substâncias. É a cirurgia de escolha atualmente para o tratamento da obesidade mórbida e também é usada para o tratamento da diabetes tipo 2 por ser considerada uma cirurgia metabólica.

Como é escolhido o procedimento que será feito?
Geralmente o procedimento é escolhido considerando-se algumas variáveis, como IMC inicial, idade do paciente (expectativa de vida x % de perda excesso de peso necessária), co-morbidades associadas, risco cirúrgico e necessidade de reintervenção futura ou não. A escolha se dá por um consenso da equipe com a aceitação final do paciente após as devidas explicações sobre os procedimentos disponíveis que fazemos (autorizados pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Federal de Medicina e reconhecidos mundialmente como bem testados e com resultados conhecidos). Cada técnica deve estar adequada ao perfil e às expectativas do paciente.

Por que devo fazer uma avaliação pré-operatória completa e detalhada por uma equipe multidisciplinar?
Além da seleção dos pacientes ser baseada em indicações e contra-indicações médicas, todos serão detalhadamente investigados por uma equipe multidisciplinar composta por endocrinologistas, nutricionistas, psiquiatras ou psicólogo, cirurgiões bariátricos, cardiologistas, gastroenterologista, enfermeira, fisioterapeuta, anestesistas e se necessário, ortopedista e pneumologista. O objetivo de cada profissional é detectar e tratar, no pré-operatório, problemas clínicos e/ou psicológicos, além de detectar hábitos alimentares incorretos para prepará-lo para as modificações exigidas em seu pós-operatório.

Quanto peso pode se esperar perder com a cirurgia?
A perda de peso depende muito do peso pré-operatório e da escolha alimentar pós-operatória. Além disso, o nível de atividade física conta muito na perda e manutenção do peso perdido após o procedimento cirúrgico. No nosso grupo a maioria dos pacientes perde 60% do excesso de peso até o sexto mês, e no fim do primeiro ano já perdeu 80% do excesso de peso.

O que me impediria de fazer a cirurgia?
A falta de apoio familiar e a falta de entendimento e de preparo pessoal para se adaptar ao novo modo de se alimentar e de viver. Geralmente a cirurgia só é vetada se os riscos do procedimento superam os benefícios do tratamento. Doença clínica e/ou psiquiátrica graves e não tratadas que aumentem o risco do procedimento cirúrgico também podem excluir (ao menos temporariamente) o paciente do programa de cirurgia bariátrica. Mas cada caso é avaliado e discutido em equipe como único e individual na sua indicação ou exclusão cirúrgica, visando sempre o benefício do paciente e minimizar os riscos do mesmo.

Posso realizar minha cirurgia por vídeo?
Todas as técnicas podem ser realizadas por vídeo nas mãos de um cirurgião treinado, porém, em alguns pacientes a cirurgia videolaparoscópica pode ser contra-indicada ou aumentar os riscos.

Se eu já fiz algum procedimento bariátrico, posso realizar outro?
Sim, sempre é possível refazer algum procedimento ou substituir alguma técnica que não esteja funcionando por outra mais adequada ao paciente.